PUEBLA 2026: TRÊS OUROS, DOZE MEDALHAS E UMA SELEÇÃO QUE MERECE RESPEITO

26/10/2026

O Brasil encerra o Campeonato Pan-Americano de Boxe com cinco finalistas, três campeões continentais e doze vagas para Lima 2027. A campanha confirma a força nacional, mas também revela desafios para o futuro.

Por Frank de Moraes — 25 de outubro de 2026

O boxe brasileiro encerrou sua participação no Campeonato Pan-Americano de Elite, disputado em Puebla, no México, com uma campanha que merece reconhecimento. Foram três medalhas de ouro, duas de prata e sete de bronze, totalizando doze presenças no pódio.

Mais importante ainda: o Brasil assegurou doze das quatorze vagas possíveis para os Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2027.

Os resultados demonstram que a seleção nacional continua sendo uma força importante no continente. Mas, como acontece em todo campeonato de alto nível, também oferecem informações valiosas sobre o trabalho que ainda precisa ser realizado.

Puebla foi uma conquista coletiva. E seu significado ultrapassa a contagem de medalhas.


Três ouros que merecem destaque

Yuri Falcão — 65 kg

O capixaba derrotou o canadense Gabriel Labrie na decisão. A conquista reforça sua posição entre os principais representantes brasileiros da nova geração.

Viviane Pereira — 70 kg

A brasileira venceu a americana Isabella Winkler e confirmou sua força numa categoria que exige velocidade, disciplina e resistência.

Isaías Ribeiro Filho — 90 kg

Superou Nelson Williams, representante de Cuba, na final. Seu título merece atenção especial pelo desafio que representa competir internacionalmente nas categorias mais pesadas.

As três vitórias demonstram a diversidade da equipe brasileira. Não dependemos de um único atleta, de uma única categoria ou de uma única maneira de lutar.

Duas pratas que também possuem valor

O Brasil disputou cinco finais e venceu três.

As duas medalhas de prata ficaram com Jucielen Cerqueira, nos 57 quilos, e Michael Douglas Trindade, nos 55 quilos. Ambos foram derrotados por representantes dos Estados Unidos.

A prata não deve ser interpretada como uma campanha incompleta. Chegar à final de um campeonato continental significa superar adversários qualificados e demonstrar regularidade.

Entretanto, as derrotas precisam ser estudadas.

É importante compreender se os brasileiros tiveram dificuldades com a velocidade dos adversários, com a administração da distância ou com a capacidade de adaptação durante os assaltos.

O objetivo não é procurar culpados. É transformar a experiência em aperfeiçoamento técnico.

Sete bronzes e a importância da força coletiva

A seleção também conquistou sete medalhas de bronze:

Atleta

Categoria

Carol Barbosa

51 kg

Tati de Jesus

54 kg

Rebeca Lima

60 kg

Beatriz Ferreira

65 kg

Adriele Nascimento

75 kg

Wanderley Pereira

80 kg

Joel Ramos

+90 kg

Esses resultados são importantes porque demonstram a presença brasileira em diferentes divisões de peso.

Entre os medalhistas, Joel Ramos merece registro especial. Sua vitória sobre o argentino Enzo Gallardo, por 3 a 2, garantiu-lhe o bronze. Na semifinal, foi derrotado pelo americano Gilbert Kabamba, por unanimidade.

O resultado confirmou que o Brasil possui um representante competitivo entre os superpesados, embora ainda exista espaço para evolução técnica.

Beatriz Ferreira: preservar a atleta foi a decisão correta

A participação de Beatriz Ferreira merece uma observação particular.

A medalhista olímpica sofreu uma entorse no joelho esquerdo durante as quartas de final e foi retirada da competição antes de disputar a semifinal.

Como a vaga brasileira para Lima já estava assegurada, a comissão técnica decidiu evitar o risco de agravamento da lesão.

Considero a decisão acertada.

Uma atleta da importância de Beatriz não deve ter sua preparação comprometida pela busca de uma medalha adicional.

A preservação de sua saúde e de sua capacidade competitiva precisa estar acima de qualquer resultado imediato.


Doze vagas para Lima: talvez a maior conquista

12 medalhas – 5 Finalistas – 12/14 vagas para Lima

O Brasil assegurou classificação em doze das quatorze categorias previstas para os Jogos Pan-Americanos de 2027.

É importante esclarecer que essas vagas pertencem ao país, e não necessariamente aos atletas que as conquistaram.

Isso permitirá à comissão técnica continuar avaliando o desempenho de seus representantes antes de definir a equipe que viajará ao Peru.

As duas categorias ainda não classificadas poderão buscar vagas em futuras competições qualificatórias.

O que Puebla nos ensinou?

A campanha brasileira apresentou três aspectos positivos.

O primeiro foi a regularidade. Conquistar doze medalhas em quatorze categorias demonstra que existe um trabalho coletivo consistente.

O segundo foi a capacidade de alcançar finais. Cinco brasileiros disputaram o ouro, e três conseguiram vencer.

O terceiro foi a presença de atletas em diferentes fases de desenvolvimento, permitindo combinar experiência e renovação.

Mas também existem preocupações.

As derrotas para representantes americanos, a necessidade de maior competitividade nas categorias pesadas e a importância de enfrentar regularmente escolas europeias e asiáticas devem fazer parte do planejamento.

O boxe brasileiro precisa continuar investindo na preparação física, na formação de treinadores, no intercâmbio internacional e no desenvolvimento de novos talentos.

O comentário do Frank

Considero que Puebla confirmou uma realidade importante: o Brasil possui uma seleção de boxe que merece respeito internacional.

Mas não gostaria que as doze medalhas produzissem acomodação.

O esporte brasileiro já demonstrou que consegue formar campeões. O desafio é manter essa capacidade durante sucessivas gerações.

Também considero fundamental não transformar as medalhas em números isolados.

Por trás de cada conquista existe uma história de treinamento, sacrifício, dificuldades financeiras, viagens, derrotas e recomeços.

Yuri Falcão, Viviane Pereira e Isaías Ribeiro Filho chegaram ao lugar mais alto do pódio. Jucielen Cerqueira e Michael Douglas Trindade estiveram muito próximos. Outros sete brasileiros conquistaram o bronze.

Todos contribuíram para uma campanha expressiva.

Entretanto, o próximo objetivo já está diante deles.

Lima 2027 será o teste da continuidade. Los Angeles 2028 será o teste da excelência.

Puebla demonstrou que o boxe brasileiro possui força continental. Agora, precisamos verificar até onde essa força poderá chegar diante das melhores escolas do mundo.

A seleção voltou do México com três títulos, doze medalhas e doze vagas.

Mas trouxe também algo que não aparece nas estatísticas: a responsabilidade de continuar evoluindo.

O Brasil merece comemorar. Seus boxeadores merecem reconhecimento. E o futuro exige que ninguém se contente apenas com o que já foi conquistado.

Fontes de apuração: ge/Globo, 24 de outubro de 2026; Olimpíada Todo Dia; World Boxing e Confederação Pan-Americana de Boxe.

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