No topo do boxe: Shakur Stevenson e o eterno debate pound-for-pound

04/02/2026

Por Frank de Moraes (04 de fevereiro de 2026)

Poucos temas no boxe geram tanta discussão quanto o ranking pound-for-pound. A cada grande atuação, a lista informal que mede talento independentemente de peso volta a ser reavaliada — e, neste momento, Shakur Stevenson é um dos nomes que mais provoca debate.

A recente declaração do norte-americano, ao se colocar entre os melhores do mundo e apontar Oleksandr Usyk como o único em nível semelhante, não deve ser vista apenas como autoconfiança típica de um campeão. Ela reflete uma realidade técnica difícil de ignorar.

O controle como identidade

Stevenson não vence lutas pelo caos, mas pela ordem. Seu boxe é construído sobre leitura de jogo, defesa refinada e domínio espacial. Ele dita o ritmo, escolhe quando trocar golpes e, principalmente, quando não trocar. É um estilo que não empolga os amantes do nocaute rápido, mas que costuma convencer juízes, analistas e adversários derrotados.

Esse perfil o coloca em uma prateleira especial: a dos lutadores que fazem o rival parecer pior do que realmente é.

Comparações inevitáveis

No debate pound-for-pound atual, Stevenson divide espaço com estilos muito distintos. Naoya Inoue impressiona pela agressividade controlada e pelo poder de definição; é o tipo de lutador que transforma superioridade técnica em nocautes contundentes. Já Terence Crawford se destaca pela capacidade de adaptação, mudando estratégias em tempo real e dominando adversários de elite.

Usyk, por sua vez, representa o equilíbrio entre técnica, resistência e feitos históricos, especialmente por ter alcançado o topo em categorias de peso muito diferentes.

Onde Stevenson se encaixa

Se há algo que separa Stevenson de alguns de seus pares é a estética do domínio. Ele não busca impressionar; busca vencer com o menor risco possível. Isso faz com que sua grandeza seja, por vezes, subestimada aos olhos do público casual — mas dificilmente ignorada por quem entende o jogo.

Ainda faltam, talvez, confrontos definitivos que solidifiquem sua posição como consenso absoluto no topo do pound-for-pound. Mas, tecnicamente, ele já pertence a esse grupo seleto.

Olhar final

O boxe moderno vive um momento raro, com múltiplos talentos geracionais ativos ao mesmo tempo. Nesse cenário, Shakur Stevenson não é apenas mais um nome em ascensão — é um parâmetro de excelência defensiva e controle estratégico.

Como toda grande discussão do boxe, o pound-for-pound não se resolve em palavras, mas em lutas. E é justamente aí que Stevenson parece mais confortável: no silêncio calculado do ringue, onde sua técnica fala mais alto do que qualquer declaração.