MUNDIAL SUB-19: O BRASIL APRESENTA SUA NOVA GERAÇÃO EM MONTENEGRO

OITO JOVENS BOXEADORES ENTRAM EM CENA NUM TORNEIO QUE PODE REVELAR OS CAMPEÕES DO FUTURO
Por Frank de Moraes
Boletim do Boxe — 16 de outubro de 2026
O futuro do boxe brasileiro começa a ser examinado nesta sexta-feira, 16 de outubro, na cidade de Budva, em Montenegro.
O Campeonato Mundial Sub-19 da World Boxing reunirá 474 atletas de 69 federações nacionais, distribuídos por vinte categorias de peso. O Brasil participa com oito representantes: quatro mulheres e quatro homens.
São jovens que procuram conquistar medalhas, adquirir experiência internacional e demonstrar que poderão integrar, nos próximos anos, a seleção brasileira adulta. Mas existe algo mais importante do que a quantidade de medalhas. O torneio oferece a oportunidade de conhecer uma geração que começa a construir sua própria identidade esportiva.
O Brasil não leva apenas oito atletas a Montenegro. Leva oito projetos de futuro.
Budva recebe a nova geração mundial
Localizada na costa do mar Adriático, Budva tornou-se, durante este mês de outubro, um dos principais centros do boxe olímpico internacional.
O Campeonato Mundial Sub-19 será disputado no Mediterranean Sports Center, entre 16 e 27 de outubro. A competição reúne 306 homens e 168 mulheres. Serão dez categorias masculinas e dez femininas.
O torneio representa a segunda edição do Mundial Sub-19 organizado pela World Boxing, depois da competição inaugural realizada em Colorado, nos Estados Unidos, em 2024.
A participação de 69 federações demonstra o alcance internacional do evento. Estarão presentes atletas de escolas tradicionais, incluindo países da Ásia, Europa, Américas e África.
Para os brasileiros, a experiência será particularmente importante. O confronto com adversários de estilos diferentes permite identificar qualidades, dificuldades e necessidades de aperfeiçoamento.
O Mundial não representa apenas uma disputa por medalhas. É também um exame de formação esportiva.
Os oito brasileiros
A equipe brasileira apresenta uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres.
No feminino, competirão Elissandra Santos, na categoria até 48 quilos; Maira Alves, nos 57 quilos; Sara dos Santos, nos 60 quilos; e Stephani Amaral, nos 75 quilos.
No masculino, estarão Gustavo Domingues, nos 55 quilos; Pedro Cardoso, nos 60 quilos; Andrey Reis, nos 65 quilos; e Claudio Santos, nos 80 quilos.
A presença de atletas de diferentes regiões do país demonstra a importância do trabalho realizado por academias, treinadores e projetos de formação.
O desenvolvimento do boxe brasileiro não depende exclusivamente dos grandes centros. Talentos também surgem em cidades menores, em projetos sociais e em academias que enfrentam dificuldades para manter suas atividades. A chegada desses jovens ao Campeonato Mundial representa uma conquista importante para todos os envolvidos em sua formação.
Elissandra Santos: um desafio de grande exigência
Elissandra Santos disputará a categoria feminina até 48 quilos. A brasileira integra uma chave com 21 participantes. Entre as adversárias presentes estão representantes de países com tradição no boxe olímpico, como Japão, Ucrânia e Uzbequistão.
A categoria exige velocidade, precisão e excelente movimentação. Os combates costumam apresentar ritmo intenso. Pequenos erros podem determinar o resultado de um assalto.
Elissandra precisará administrar a distância e evitar ataques precipitados.
A participação num Mundial dessa dimensão representa uma oportunidade de crescimento. Mas também exige maturidade competitiva.
Cada adversária poderá apresentar características diferentes. A capacidade de adaptação será fundamental.
Maira Alves: a importância da experiência internacional
Maira Alves competirá na categoria até 57 quilos.
A jovem integra o grupo de atletas que participaram de períodos de preparação da seleção brasileira juvenil. Sua presença no Mundial representa uma oportunidade importante para avaliar o trabalho desenvolvido durante os treinamentos.
O boxe olímpico exige capacidade de competir em ritmo elevado durante três assaltos. Na categoria de Maira, velocidade e precisão deverão desempenhar papéis decisivos.
A brasileira precisará demonstrar disciplina tática. Não bastará atacar. Será necessário construir vantagens e preservar a organização defensiva.
O resultado de sua participação ajudará a orientar os próximos passos de sua formação.
Sara dos Santos: de Uruguaiana para Montenegro
Sara dos Santos representa uma história interessante da renovação do boxe nacional. Natural de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a atleta integra a equipe brasileira na categoria até 60 quilos.
Sua convocação foi motivo de destaque na comunidade esportiva de sua cidade.
A presença numa competição mundial representa uma conquista significativa para uma jovem atleta.
Também demonstra que o boxe brasileiro continua encontrando talentos em diferentes regiões.
Sara terá pela frente adversárias de escolas internacionais importantes. A categoria até 60 quilos costuma reunir boxeadoras de grande velocidade e capacidade ofensiva.
O controle da distância e a disciplina defensiva serão essenciais. Mas a experiência poderá oferecer algo ainda mais importante.
A oportunidade de compreender as exigências do boxe internacional e retornar ao Brasil com conhecimentos que ajudarão em sua evolução.
Stephani Amaral: o desafio dos 75 quilos
Stephani Amaral disputará a categoria feminina até 75 quilos. Entre as quatro brasileiras, será a representante da divisão mais pesada. A categoria apresenta características diferentes das divisões menores. A potência possui importância maior, mas a técnica continua sendo decisiva.
Uma boxeadora que consegue utilizar o jab, controlar a distância e manter boa movimentação pode neutralizar adversárias fisicamente fortes.
Stephani precisará demonstrar equilíbrio entre agressividade e defesa.
A participação no Mundial permitirá avaliar seu desempenho diante de adversárias de diferentes escolas. Para uma atleta jovem, essa experiência possui valor extraordinário.
Gustavo Domingues: velocidade entre os 55 quilos
Gustavo Domingues representará o Brasil na categoria masculina até 55 quilos.
A divisão reúne 37 competidores. É uma das categorias mais numerosas do campeonato.
Isso significa que o caminho até uma medalha poderá exigir várias vitórias consecutivas.
A categoria costuma apresentar combates rápidos, com intensa movimentação e grande volume de golpes.
Gustavo precisará demonstrar capacidade de manter a concentração durante os três assaltos. Também deverá evitar desperdiçar energia em ataques sem preparação. A competição será uma oportunidade importante para medir sua evolução diante de adversários internacionais.
Pedro Cardoso: o representante de Rio Claro
Pedro Cardoso, conhecido como Pepeu, disputará a categoria masculina até 60 quilos. O atleta é um dos representantes da academia MM Boxe, de Rio Claro, no interior paulista.
Sua participação no Mundial foi destacada pela imprensa local. Pedro representa o trabalho de formação desenvolvido fora dos principais centros nacionais.
A categoria até 60 quilos terá 38 participantes. É uma chave exigente.
Para avançar, o brasileiro precisará superar adversários com estilos diferentes e manter regularidade durante vários combates. O Mundial poderá representar uma etapa importante em sua trajetória. Mas, independentemente do resultado, a experiência internacional deverá contribuir para seu desenvolvimento.
Andrey Reis: uma das categorias mais concorridas
Andrey Reis competirá na categoria masculina até 65 quilos. Será a divisão mais numerosa do campeonato. Nada menos que 45 atletas disputarão o título mundial.
A quantidade de participantes demonstra a dificuldade da competição. Andrey precisará enfrentar uma sequência de adversários de grande qualidade para aproximar-se das medalhas.
A categoria até 65 quilos reúne características interessantes. Os atletas possuem velocidade, potência e capacidade de trabalhar em diferentes distâncias.
A organização defensiva será fundamental. Andrey também precisará demonstrar capacidade de adaptação. O estilo de um adversário europeu poderá ser completamente diferente daquele apresentado por um boxeador asiático ou americano. Essa diversidade representa um dos maiores desafios do Mundial.
Claudio Santos: a força brasileira nos 80 quilos
Cláudio Santos será o representante brasileiro na categoria masculina até 80 quilos.
A divisão exige combinação de potência, movimentação e resistência. Os golpes possuem maior capacidade de produzir interrupções, mas a qualidade técnica continua sendo indispensável.
Claudio participou de períodos de preparação da seleção brasileira juvenil. Agora terá a oportunidade de enfrentar adversários internacionais. Sua evolução dependerá da capacidade de utilizar os fundamentos em situações de maior exigência.
O jab, o controle da distância e a movimentação defensiva serão especialmente importantes.
O Mundial poderá revelar até que ponto o brasileiro está preparado para competir entre os principais jovens de sua categoria.
O significado da preparação
A presença dos oito brasileiros em Montenegro representa o resultado de um trabalho que começou muito antes da viagem. Os atletas passaram por períodos de treinamento, avaliações e competições nacionais. A preparação incluiu atividades técnicas, físicas e táticas. Também envolveu sessões de combate destinadas a reproduzir situações encontradas nas competições internacionais. Esse trabalho é fundamental.
O boxe olímpico contemporâneo exige alto nível de organização. Não basta possuir talento natural. É necessário desenvolver velocidade de reação, resistência, precisão e capacidade de interpretar adversários.
Os treinadores desempenham papel decisivo. São responsáveis por orientar os atletas, corrigir erros e construir estratégias adequadas.
O desempenho brasileiro no Mundial também permitirá avaliar a eficiência desse processo de formação.
A importância das categorias de base
O Brasil conquistou medalhas olímpicas importantes nas últimas décadas. Nomes como Esquiva Falcão, Yamaguchi Falcão, Robson Conceição, Hebert Conceição, Beatriz Ferreira e Abner Teixeira ajudaram a fortalecer a posição do país no boxe internacional. Mas nenhuma geração permanece para sempre.
O esporte precisa renovar seus representantes. E essa renovação começa nas categorias de base.
Os atletas sub-19 de hoje poderão disputar competições adultas nos próximos anos. Alguns chegarão aos Jogos Olímpicos. Outros seguirão caminhos diferentes. Mas todos precisam receber oportunidades adequadas de desenvolvimento.
O investimento nas categorias juvenis não deve depender exclusivamente de resultados imediatos.
Um atleta que perde sua primeira luta num Mundial pode se tornar num campeão importante alguns anos depois. A formação exige paciência. E o Brasil precisa compreender essa realidade.
O Mundial e o futuro olímpico
A competição de Budva representa uma etapa importante no desenvolvimento internacional dos jovens atletas. Mas não deve ser confundida com um torneio classificatório para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Os critérios de classificação olímpica são estabelecidos por processos específicos. A participação no Mundial Sub-19 oferece experiência, mas não garante vagas.
Também é importante considerar que muitos atletas ainda estão em processo de desenvolvimento físico e técnico durante o próximo ciclo. Alguns poderão disputar oportunidades olímpicas em 2028. Outros talvez tenham melhores condições em ciclos posteriores.
O importante é construir uma trajetória sustentável. O objetivo não deve ser apenas produzir resultados imediatos. Deve ser formar boxeadores capazes de competir internacionalmente durante vários anos.
O que esperar do Brasil?
Seria precipitado estabelecer uma previsão de medalhas antes do início das disputas.
O sorteio apresentou caminhos diferentes para cada atleta. Alguns enfrentarão adversários de escolas tradicionais logo nas primeiras fases. Outros poderão encontrar confrontos mais equilibrados.
O número de participantes também varia consideravelmente entre as categorias. Por isso, o desempenho deverá ser avaliado individualmente.
Uma vitória diante de um adversário de grande qualidade poderá representar progresso importante. Da mesma maneira, uma derrota equilibrada não deverá ser interpretada automaticamente como fracasso. O fundamental será observar a capacidade técnica, a disciplina tática e a evolução demonstrada pelos brasileiros.
As medalhas serão consequência desse trabalho.
A programação
O Campeonato Mundial Sub-19 começa nesta sexta-feira, 16 de outubro. A primeira sessão está prevista para as 18 horas locais, correspondentes às 13 horas de Brasília.
As disputas acontecerão no Mediterranean Sports Center, em Budva.
As semifinais estão programadas para 25 de outubro. O dia 26 será reservado para descanso. As finais acontecerão em 27 de outubro.
Os combates poderão ser acompanhados pela plataforma WorldBoxing.TV.
A competição oferece ao público brasileiro a oportunidade de conhecer atletas que poderão ocupar posições importantes no esporte nacional durante os próximos anos.
Conclusão — O futuro começa agora
O Brasil inicia o Campeonato Mundial Sub-19 com oito representantes.
Elissandra Santos.
Maira Alves.
Sara dos Santos.
Stephani Amaral.
Gustavo Domingues.
Pedro Cardoso.
Andrey Reis.
Claudio Santos.
São nomes que ainda não possuem projeção internacional dos grandes campeões brasileiros. Mas todos representam uma etapa importante da renovação nacional.
O Mundial de Montenegro poderá revelar talentos. Também poderá mostrar dificuldades que precisam ser superadas.
Os resultados serão importantes. Mas a experiência adquirida poderá ter valor ainda maior.
O boxe brasileiro precisa de novos campeões. E novos campeões não surgem por acaso. São formados durante anos de treinamento, competições e aprendizado.
Em Montenegro, oito jovens brasileiros começam a escrever um capítulo importante de suas carreiras. Talvez alguns deles estejam apenas iniciando uma história que, no futuro, chegará aos ringues olímpicos.
