Luan Medeiros vence Juan Cruz Uncos, mantém invencibilidade e conquista seu primeiro cinturão internacional

31/08/2026

Jorge Luiz Tourinho

30 de Agosto de 2026

Brasileiro controla grande parte dos dez assaltos, supera os poucos perigos oferecidos pelo argentino e dá importante passo em sua carreira profissional

Luan Medeiros chegou ao Spaten Fight Night 3 carregando algumas coisas mais importantes do que a invencibilidade.

A primeira delas é o contrato com essa empresa que está por trás da cerveja Spaten. Quem será? O promotor Felipe José Pamplona deve ter conseguido o apoio milionário da Spaten para realizar seus eventos de entretenimento e colocou o único boxeador brasileiro na noitada para vencer.

A segunda era uma pergunta. Depois de sete vitórias em sete apresentações profissionais, estaria o brasileiro preparado para deixar definitivamente a condição de promessa e começar a buscar espaço em um nível internacional mais elevado?

Na noite de sábado, 29 de agosto, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Luan ofereceu um triunfo modesto que não nos retirou a dúvida. Pelo menos para aqueles pouquíssimos analistas de Boxe independentes dos promotores e das transmissoras de TV.

O carioca derrotou o argentino Juan Cruz Uncos por decisão unânime após dez assaltos e conquistou seu primeiro cinturão internacional no Boxe profissional. Bastou para mostrar evolução? Não. Medeiros foi agressivo com as pernas e sua economia de golpes ainda o fez perder dois assaltos para um valente brigador tecnicamente medíocre.

Outro triste detalhe é que nenhum dos dois estavam classificados no último ranking da FEDELATIN publicado. Ou seja, pagou, lutou pelo seu cinturão. Lamentável...

Os cartões foram amplos: 98-92, 98-92 e 99-91. Pontuei de casa, facilmente, 98-92.

Com a vitória, Luan chegou a 8-0, mantendo intacta sua campanha profissional. Uncos, por sua vez, deixou São Paulo com dez vitórias, cinco derrotas e um empate.

Os números já nos contavam que o argentino veio como carne humana para servir de escada. Antes da contenda, Luan era o número 222 do indispensável site BoxRec. Uncos era o 343 do mundo e o vigésimo primeiro argentino!

Luan começou a luta fazendo exatamente aquilo que se esperava de quem possuía maior velocidade e desejava assumir a iniciativa: cercando, mas usando mais as pernas do que combinações. Ocupou o centro do ringue, avançou atrás do jab, de quando em vez, e utilizou principalmente a direita para empurrar Uncos em direção às cordas. Faltou agressividade e intensidade para definir antes dos 10 rounds pactuados.

O Diablo teve dificuldades para impedir a pressão. Seus ataques ou contra golpes foram bombas jogadas como mata-cobras. Seu coração o empurrava para tentar o improvável diante de um rival cada vez mais confiante no veredicto dos juízes já que havia desistido de buscar o nocaute.

Movimentando-se para trás e explorando o contragolpe, o argentino passou a aproveitar alguns momentos em que a agressividade de Luan deixava espaços defensivos.

Era justamente o risco que existia para o brasileiro. Atacar é uma coisa. Atacar mantendo organização defensiva é outra.

Uncos percebeu isso e começou a conectar alguns golpes frontais enquanto Luan avançava. Para mim, venceu apenas o quinto e o décimo tempos.

Luan chegou a demonstrar gosto pela troca de golpes — inclusive provocando o adversário para continuar —, mas posteriormente voltou a fazer aquilo que lhe havia dado vantagem desde o começo: pressionar, trabalhar e controlar.

Juan Cruz Uncos não passa de um brigador com pouca coordenação que aceitou a luta para ganhar uma boa bolsa. Seus apoderados sabiam que voltar para casa como cinto era missão quase impossível.

Antes de tornar-se profissional, Medeiros construiu extensa carreira no boxe olímpico, com aproximadamente 150 combates amadores. Agora deve ser treinado para a carreira rentada. O próprio brasileiro havia explicado antes da luta que uma das maiores adaptações ao profissionalismo estava justamente na administração física: três rounds intensos são uma realidade completamente diferente de dez assaltos.

O cinturão dos leves da FEDELATIN (ligada à AMB) foi colocado na cintura do brasileiro. Contudo, é preciso calma para avaliar os próximos passos para Medeiros. Contra quem da lista dos 15 do organismo seria favorito?

Uma visão diz que precisa avançar num ritmo diferente daquele normalmente reservado a uma promessa de 20 ou 21 anos. Sua extensa experiência amadora ajuda a compensar o pequeno número de lutas profissionais, mas chegou o momento de aumentar gradualmente o nível dos adversários. Isso a sua empresa tem capacidade e dinheiro para fazer (seria a Most Valuable Promotions?).

Precisa ser melhor do que o anterior. É assim que se constrói um candidato real.

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