Leigh Wood domina Josh Warrington na revanche e reafirma seu status entre os grandes penas britânicos

Cristina Galino
22 de fevereiro de 2026
O boxe britânico viveu mais um capítulo eletrizante com a aguardada revanche entre Leigh Wood e Josh Warrington. O duelo, que já carregava rivalidade e tensão acumuladas, entregou intensidade, drama e, acima de tudo, uma atuação madura e dominante de Wood, que neutralizou as principais armas de Warrington ao longo dos 12 rounds.
Quando dois ex-campeões mundiais britânicos se enfrentam, o fator emocional costuma pesar tanto quanto o aspecto técnico. Wood e Warrington já haviam protagonizado momentos de grande intensidade no ringue, e a revanche prometia ajustes estratégicos de ambos os lados.
Warrington entrou com a necessidade clara de pressionar desde o início, impor volume e tentar transformar a luta em um combate físico, truncado e desconfortável — território onde sempre se sentiu mais à vontade.
Wood, por outro lado, precisava de disciplina tática, controle de distância e precisão nos contragolpes.
Desde os assaltos iniciais, ficou evidente que Leigh Wood havia preparado um plano de luta sólido. Trabalhando com excelente uso do jab, ele manteve Warrington na média distância e evitou ser encurralado nas cordas — um dos pontos fortes do rival.
Warrington tentou acelerar o ritmo, avançando com combinações curtas e buscando trocação franca. No entanto, Wood mostrou frieza e boa leitura defensiva, girando lateralmente e respondendo com golpes limpos após cada investida.
A diferença técnica começou a se desenhar ainda na primeira metade do combate.
Se Warrington esperava quebrar o ritmo de Wood com pressão constante, o plano não se concretizou. Pelo contrário: Wood passou a explorar as entradas previsíveis do adversário.
O direto de direita e os cruzados em contra-ataque começaram a encontrar o alvo com frequência. Além disso, Wood variou bem o ataque ao corpo, diminuindo gradualmente a explosão física de Warrington.
A partir dos rounds médios, a luta já apresentava um padrão claro: Wood controlava o centro do ringue e pontuava com mais clareza, enquanto Warrington dependia de momentos isolados de intensidade.
Nos rounds finais, Wood demonstrou maturidade competitiva. Em vez de buscar um desfecho precipitado, manteve a consistência, administrou o ritmo e evitou riscos desnecessários.
Warrington continuou valente, fiel ao seu estilo aguerrido, mas encontrou dificuldades para conectar golpes limpos com regularidade. A defesa ativa de Wood — combinando bloqueios altos e movimentação lateral — foi determinante.
Ao final dos 12 rounds, a decisão refletiu o que se viu no ringue: uma vitória clara de Leigh Wood, construída com disciplina, estratégia e execução técnica superior.
Para Leigh Wood, a vitória na revanche representa mais do que um triunfo estatístico. Trata-se de afirmação. Ele provou capacidade de ajuste, maturidade emocional e evolução tática — atributos essenciais para permanecer relevante em uma divisão tradicionalmente competitiva.
Já Josh Warrington segue sendo um nome respeitado pelo espírito combativo e pela entrega, mas a derrota levanta questionamentos sobre os próximos passos de sua carreira em alto nível.
Com o cenário britânico sempre aquecido e a divisão dos penas repleta de possibilidades, Wood se posiciona novamente como candidato natural a grandes combates, seja em defesas de título ou em super lutas domésticas e internacionais.
A revanche mostrou algo essencial no boxe moderno: o talento precisa caminhar ao lado de inteligência estratégica. E, nessa noite, Leigh Wood apresentou ambos.
