José Legrá: adeus a um dos maiores pesos-penas de sua geração

16/07/2026

Frank de Moraes

16 de Julho de 2026

O boxe mundial despediu-se de uma de suas figuras mais emblemáticas. Morreu, aos 83 anos, José Legrá, ex-campeão mundial dos pesos-penas e um dos pugilistas mais talentosos das décadas de 1960 e 1970. Nascido em Cuba e radicado na Espanha, onde construiu praticamente toda a sua carreira profissional, Legrá tornou-se referência por sua velocidade, habilidade defensiva e estilo elegante, características que lhe renderam o apelido de "Pocket Cassius Clay", em alusão ao lendário Muhammad Ali.

José Legrá nasceu em Baracoa, Cuba, em 19 de abril de 1943. Após deixar seu país, estabeleceu-se na Espanha, onde iniciou a carreira profissional e rapidamente ganhou destaque no cenário europeu. Ao longo de uma trajetória marcada pela regularidade e pelo elevado número de combates, construiu um impressionante cartel de 129 vitórias, 10 derrotas e 4 empates, enfrentando alguns dos melhores nomes de sua época.

O auge de sua carreira ocorreu no início da década de 1970. Em dezembro de 1972, Legrá conquistou o título mundial dos pesos-penas do Conselho Mundial de Boxe (WBC) ao derrotar o mexicano Clemente Sánchez por nocaute técnico no décimo assalto, em Monterrey, no México. A vitória coroou anos de domínio no cenário europeu e o colocou definitivamente entre os grandes campeões da categoria.

Poucos meses depois, porém, o destino reservaria um dos capítulos mais memoráveis da história do boxe brasileiro. Em 5 de maio de 1973, no então Ginásio Presidente Médici, em Brasília (atual Arena BRB Nilson Nelson), José Legrá colocou seu cinturão mundial em jogo diante do lendário Éder Jofre, que havia retornado da aposentadoria e subido da categoria dos galos para a dos penas. Após quinze assaltos de altíssimo nível técnico, Jofre conquistou o título mundial por decisão majoritária, tornando-se campeão mundial em uma segunda categoria e escrevendo uma das páginas mais brilhantes da história do esporte brasileiro. A luta foi equilibrada, com Legrá utilizando sua velocidade e precisão, enquanto Jofre respondeu com pressão constante, golpes mais pesados e excelente controle da distância.

Mesmo derrotado em Brasília, José Legrá permaneceu como um dos principais nomes da divisão. Ainda realizou outros combates importantes antes de encerrar sua carreira em novembro de 1973, quando foi surpreendido pelo jovem nicaraguense Alexis Argüello, outro futuro integrante do Hall da Fama.

Ao longo de sua trajetória, Legrá destacou-se pela capacidade técnica, excelente movimentação e inteligência tática. Em uma época marcada por extraordinários pesos-penas, conseguiu conquistar espaço entre os grandes campeões e tornou-se um dos principais representantes do boxe espanhol, embora jamais tenha escondido suas raízes cubanas.

Sua morte provocou manifestações de pesar em diversos países, especialmente na Espanha, em Cuba e entre antigos campeões mundiais. Para muitos historiadores do esporte, José Legrá permanece como um dos maiores pesos-penas de sua geração e um personagem fundamental da era de ouro do boxe nas décadas de 1960 e 1970.

Mais do que um campeão mundial, José Legrá deixa um legado de técnica refinada, coragem e dedicação ao boxe. Seu nome estará eternamente associado às grandes noites da categoria dos pesos-penas e, para os brasileiros, à inesquecível batalha travada em Brasília contra Éder Jofre, uma luta que entrou definitivamente para a história da nobre arte.

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