JOHNNY FISHER VENCE NA COPPER BOX — MAS PIROTTON TRANSFORMA A FESTA EM TESTE DE SOBREVIVÊNCIA

27/09/2026

Maya do Cabo

27 de Setembro de 2026

Britânico conquista decisão majoritária em dez rounds, sofre com o desgaste na segunda metade e inicia com vitória sua passagem pela Zuffa Boxing. Kalajdzic também brilhou em Londres ao superar Craig Richards.

Johnny Fisher venceu. Talvez esta seja a informação mais importante para o peso-pesado britânico depois de dez rounds muito mais complicados do que provavelmente imaginava enfrentar na noite de sábado, 26 de setembro, na Copper Box Arena, em Londres. Mas a simples palavra "venceu" não conta toda a história.

Em sua estreia pela Zuffa Boxing, Johnny Fisher (15-1, 12 KOs) derrotou o belga Michael Pirotton (12-3, 6 KOs) por decisão majoritária, com cartões de 98-92, 96-95 e 95-95. A diferença entre esses três cartões já ajuda a explicar a luta.

Houve um Fisher suficientemente superior para ganhar. Mas houve também um Pirotton suficientemente resistente e perigoso para transformar aquilo que poderia ser uma apresentação confortável do favorito em uma batalha física.

FISHER COMEÇA COMO FAVORITO

Nos primeiros rounds, o roteiro parecia relativamente previsível. Fisher tomou a iniciativa, caminhou para a frente e procurou impor sua força física. Os golpes pesados do inglês começaram cedo a produzir marcas no rosto de Pirotton. Já no segundo assalto, o belga apresentava um corte na região do olho.

Parecia uma questão de tempo. Fisher tinha o público, a potência e a iniciativa. Pirotton, entretanto, tinha algo que não aparece facilmente nas estatísticas: disposição para permanecer na luta.

O médico examinou o ferimento durante o combate. O sangue continuou aparecendo. Pirotton continuou lutando. E pouco a pouco a dinâmica começou a mudar.

QUANDO O COMBUSTÍVEL COMEÇOU A ACABAR

O quinto round ofereceu o primeiro sinal realmente preocupante para Fisher. Pirotton aumentou o trabalho enquanto o inglês começou a apresentar menor mobilidade. Fisher continuava perigoso, naturalmente, porque sua mão direita pode alterar uma luta a qualquer momento, mas o ritmo já não era o mesmo.

O peso-pesado que no início avançava sobre o adversário passou a escolher mais cuidadosamente seus ataques. Pirotton percebeu. E insistiu.

A partir daí a luta deixou de ser apenas uma questão de técnica ou potência e transformou-se também em uma disputa de resistência.

Curiosamente, o belga nunca havia passado dos oito rounds como profissional. Quem aparentava sentir mais o percurso, porém, era Fisher.

Nos rounds finais, Pirotton encontrou oportunidades suficientes para tornar a decisão desconfortável. Os cartões oficiais mostram isso claramente: o belga venceu os dois últimos assaltos para os três jurados. Um deles ainda lhe concedeu os quatro rounds finais.

UM ÚLTIMO GOLPE PARA LEMBRAR QUEM ERA FISHER

Havia, contudo, potência restante. No décimo round, Fisher acertou uma direita curta que abalou Pirotton. A Copper Box despertou imediatamente. Durante alguns segundos apareceu novamente aquele Fisher explosivo que construiu boa parte de sua popularidade destruindo adversários com golpes pesados.

O nocaute parecia possível. Mas Fisher não encontrou energia suficiente para completar o serviço. Pirotton resistiu. A campainha tocou e a decisão ficou nas mãos dos jurados. 98-92 para Fisher. 96-95 para Fisher. 95-95. Decisão majoritária.

A vitória estava garantida. A comemoração, entretanto, teve pouco espaço. Depois da luta, Fisher permaneceu sentado e recebeu oxigênio. Não concedeu a entrevista habitual no ringue. Foi uma imagem que talvez diga mais sobre a noite do que qualquer estatística.

Fisher havia vencido Pirotton. Entretanto, Pirotton o obrigara a utilizar praticamente tudo que possuía para conseguir isso.

UMA VITÓRIA NECESSÁRIA

É preciso considerar o contexto. Fisher vinha de um período importante de reconstrução depois das duas lutas contra Dave Allen. Na primeira, venceu por decisão dividida em um resultado bastante discutido. Na revanche, Allen não deixou dúvidas: derrubou Fisher e venceu por TKO no quinto round.

Portanto, voltar à Copper Box carregava certo simbolismo. Ali Fisher já experimentara extremos. Em julho de 2024, precisou de apenas 36 segundos para destruir Alen Babic. Em maio de 2025, no mesmo local, sofreu diante de Allen a primeira derrota profissional. Agora regressou e venceu novamente. Não da maneira espetacular que provavelmente desejava. Mas venceu. E para um peso-pesado de 27 anos tentando reconstruir sua trajetória, isso tem importância.

KALAJDZIC ESTRAGA A NOITE DE CRAIG RICHARDS

O programa da Zuffa Boxing 11 não viveu apenas de Fisher.

Na principal luta do undercard, o experiente Radivoje "Hot Rod" Kalajdzic (31-3, 22 KOs) conseguiu uma excelente vitória sobre o britânico Craig Richards (20-5, 13 KOs).

E aqui os jurados não divergiram. 97-92, 97-92 e 97-92. Todos para Kalajdzic.

O sérvio-americano mostrou novamente aquilo que já havia apresentado em sua dramática vitória sobre Oleksandr Gvozdyk: continua perigoso até os últimos segundos.

Richards tentou reagir e chegou ao décimo round procurando pressionar. Então aconteceu o contrário. Kalajdzic acertou Richards praticamente no encerramento do combate e conseguiu uma queda espetacular. Foi a primeira vez na carreira profissional que Craig Richards sofreu um knockdown.

Não havia tempo para Kalajdzic buscar o nocaute. Também não precisava. Os cartões confirmaram uma vitória ampla e colocaram "Hot Rod" novamente em posição interessante dentro dos meio-pesados.

UM CARD COM BOAS HISTÓRIAS

A Copper Box ainda apresentou Lee Cutler derrotando Louis Greene por decisão unânime em dez rounds.

Leo Ruiz também venceu por decisão unânime e impôs a Cesar Mateo Tapia sua primeira derrota profissional.

Alex MacMillan resolveu rapidamente sua luta contra Guillaume Azagier, vencendo no segundo round.

E Kayla Allen, em sua estreia profissional, também começou com vitória, depois que o córner de Edina Kiss encerrou o combate após dois rounds.

No preliminar, Rogelio Romero derrotou Aurel Ignat em apenas três rounds, tirando a invencibilidade do adversário.

Foi, portanto, uma noite movimentada para a Zuffa Boxing em sua passagem por Londres.

FISHER VENCEU — E TALVEZ TENHA APRENDIDO MAIS DO QUE NUM NOCAUTE

Existe uma tendência natural no boxe dos pesos-pesados de medir progresso pela violência das vitórias. Quanto mais rápido o nocaute, maior a impressão causada.

Fisher certamente gostaria de ter terminado Pirotton dessa maneira. Não conseguiu. Em compensação, passou por algo que talvez seja mais útil para sua carreira. Precisou lutar cansado. Precisou continuar quando o adversário não caiu. Precisou administrar uma luta que começou confortável e terminou perigosa. E descobriu que, contra adversários de nível superior, sua resistência física continuará sendo uma questão fundamental.

O Romford Bull deixou a Copper Box com a mão levantada. 15 vitórias, uma derrota e 12 nocautes. Mas deixou também uma pergunta.

Se Michael Pirotton conseguiu empurrá-lo até esse limite, o que acontecerá quando do outro lado estiver um peso-pesado britânico realmente situado nos primeiros escalões? A resposta ainda terá de ser conquistada.

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