Gary Antuanne Russell impõe ritmo e técnica diante de Andy Hiraoka e mantém título dos super-leves

Frank de Moraes
22 de fevereiro de 2026
O confronto entre Gary Antuanne Russell e Andy Hiraoka colocou frente a frente dois estilos distintos e duas escolas tradicionais do boxe mundial: a velocidade e agressividade da linhagem Russell contra a disciplina tática e o volume de golpes característicos do boxe japonês. No ringue, o que se viu foi um duelo intenso, técnico e estratégico na divisão dos super-leves.
Gary Antuanne Russell chegou ao combate carregando o peso de um sobrenome respeitado no boxe americano e a reputação de ser um dos talentos mais explosivos da categoria até 63,5 kg. Canhoto, agressivo e com forte pressão ofensiva, Russell construiu sua trajetória com base em combinações rápidas e grande capacidade de encurtar a distância.
Do outro lado, Andy Hiraoka, invicto até então em sua campanha internacional, representava o boxe japonês com disciplina tática, bom controle de distância e alto volume de golpes. Alto para a categoria, Hiraoka apostava no jab constante e na movimentação lateral para neutralizar o ímpeto do adversário.
Os rounds iniciais foram marcados por estudo mútuo. Hiraoka trabalhou bem o jab e tentou manter Russell na longa distância, explorando sua vantagem de envergadura. Porém, Russell mostrou maturidade ao não se lançar de forma desordenada.
A partir do terceiro round, o norte-americano começou a encurtar o ringue com mais eficiência. Cortando ângulos e pressionando o japonês contra as cordas, Russell passou a conectar combinações curtas no corpo e na linha de cintura, minando gradualmente a mobilidade do oponente.
O ponto de virada da luta veio nos rounds intermediários. Russell aumentou o ritmo, alternando golpes na cabeça e no tronco com excelente variação. Sua capacidade de lutar por dentro fez diferença. Enquanto Hiraoka buscava manter a compostura técnica, passou a sofrer com a intensidade e a precisão do rival.
A defesa de Russell também merece destaque. Movimentação de tronco, esquivas curtas e saída lateral após as combinações impediram que Hiraoka estabelecesse seu volume tradicional de golpes.
Mesmo quando o japonês conseguiu bons momentos — especialmente ao trabalhar o direto no contragolpe — a pressão constante de Russell manteve o controle narrativo do combate do lado americano.
Mais do que agressividade, Russell demonstrou inteligência estratégica. Não foi apenas um lutador pressionando para buscar o nocaute; foi um competidor ajustando distância, variando ritmo e escolhendo bem os momentos de explosão.
Hiraoka mostrou resistência e disciplina, mas teve dificuldades em adaptar seu plano diante da intensidade física imposta. A diferença esteve principalmente na luta de média e curta distância, onde Russell foi claramente superior.
A divisão dos super-leves é uma das mais profundas do boxe atual, com nomes de elite e constantes movimentações por títulos e eliminações oficiais. Com essa vitória, Russell se consolida como um dos nomes mais perigosos da categoria e reforça sua candidatura a disputas ainda maiores.
Para Hiraoka, apesar do revés, o combate serviu como experiência de alto nível internacional. Enfrentar um atleta da intensidade de Russell representa aprendizado e pode impulsionar ajustes importantes em sua evolução.
Gary Antuanne Russell reafirma sua posição como um competidor que combina explosão atlética com maturidade tática. Se mantiver esse nível de desempenho, inevitavelmente estará na conversa por cinturões mundiais e confrontos de grande relevância.
Já Andy Hiraoka demonstra que possui fundamentos sólidos e competitividade, mas precisará adaptar melhor seu estilo quando pressionado por adversários fisicamente dominantes.
Foi um duelo que acrescenta valor à divisão e reforça a constante renovação de talentos no boxe mundial.
